terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Traço(s)

Da vida fiz planos e com eles me armei. Para a batalha diária de mil expectativas e percalços destroçados. Traçados em planos alheios, em sistemas constantes de pesos e contrapesos.
De baixo vi arranha-céus, e lá alcancei. Do alto vi sorrisos, e desci para recebê-los.
Não se trata de uma vida retilínea, de pontos certos a se traçar. Sempre preferi as curvas, as ondas para surfar, ao menos na imaginação de quem acredita que no caminho lágrimas podemos verter.
Perdi-me. Mas me sustentei na leveza de quem gira os calcanhares com empolgação quando se é preciso, mesmo com os pés de pato apontando para direções incertas.
Encontrei. Respostas a perguntas há muito indagadas. Pessoas que ampliaram o meu leque de possibilidades. Possíveis surpresas para quem não se achava tão capaz.
Evitei. Riscos aparentes. Porém, arranham-se os cascos para se ter certeza de que não se deve procurar certas ilusões.
Analisei (e como o fiz!). Pedi-me tempo para a realidade, por vezes ingrata. A amplitude do mal se alastra e me arrasta a tantas divagações!
Parei. De acreditar em despropósitos. Para reforçar a crença em 'nanopossibilidades' do bem (são nano, mas o são).
Fui. Voltei. Arrisquei. Comuniquei. Calei-me. Enxerguei-me.
Sentenciei-me um ano de descobertas. Especialmente internas.
Afirmo prosseguir.
É bom conseguir fôlego, por vezes desenfreado, nesse reino intrigante de seres, de seres... não, ainda não sei como definir isso tudo. Tenho traços de memórias aproveitadas. No quebra-cabeça terei de continuar. As peças são muitas. Velhas e novas. Notáveis, todas elas. O imprescindível não é se preocupar em perdê-las, mas nunca desistir de querer uni-las. Então, em 2014, seguirei na trilha delas. Para buscar entender ainda mais o mundo. Para buscar entender ainda mais o eu no mundo.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Passadas

Os pés doem, mas a caminhada foi necessária.
A greve do ônibus e de fé na humanidade, ao menos por 24 horas, não me impediram de seguir magoando os suportes inferiores.
Não chega a ferir, não os pés, mas algo superior.
Caminhar não é indolor.
Exige atenção e cuidado para todos os lados.
Sinais, carros, pedestres, sons, olhares, reflexões.
E quando há sinais que alertam o seu estado de espírito é que as passadas parecem durar mais do que uma eternidade.
O importante é não desistir de chegar ao final da sua jornada acreditando que fez o que devia.
Cortes fazem parte. Merthiolate e bandaid muitas vezes não dão conta.
Sair da estaca zero é perder-se sem razão para voltar. É caminhar sem rumo em busca dos tais momentos felizes.
A cada novo nascer do Sol é importante lustrar os dentes em sua luz. Recarregar os pulmões é imprescindível. Puxar do fundo da alma em conflito aquela última bolha de ar e sentir que existe jeito para acreditar que podemos ser feitos de esperança.
É muito difícil notar isso e fazer a diferença. Nossa como é árduo caminhar contra a maré do status quo!
A água, por vezes, ferve, queima os pés.
Mas nem lava vulcânica me tira da única certeza que tenho: a de que nenhum calo vale a pena o abandono das passadas firmes.
O salto quebra, mas não terei problemas em adaptar o scarpin para uma sapatilha.
Às vezes, é preciso estar mais próximo ao chão para poder tocar as nuvens.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Sentir

Alguns podem questionar o fato de alguém acreditar em vida após a morte, reencarnação, e ser tão emotiva após a 'perda' de alguém. Se sabemos que a real existência continua após a permanência física do envoltório corporal, por que, então, as lágrimas (e os questionamentos críticos aos níveis superiores)?

Falta de fé? Falta de raciocínio lógico? Falta de costume?

Não me acostumarei às mortes. Acredito na vida e não me entregarei ao consumo do fim corpóreo. A mulher, que desde cedo se acostumou a acreditar nas pessoas e a lutar, do seu jeito, por um mundo mais justo, nunca deixará o canal lacrimal enferrujar.

Foram três mortes de conhecidos este ano. Um mais próximo, mesmo que nem tenha sido um familiar. Mas há sempre aqueles que, mesmo passando por um breve momento, fazem a diferença na escolha de nossos próximos passos. São sementes do passado que geram frutos únicos no futuro.

Não é de hoje que falo de perdas e ganhos. De vida e morte. Mas os últimos baques, dessa vez mais reais, têm sido pesados. É difícil ajeitar o salto depois que os pés se machucam. Dói.

Remédio? Cura? Numa tentativa clichê de encontrar a resposta para o término do texto, e o cessar do rosto úmido, digo-lhes que o tempo é a resposta. Curto. Longo. Depende de cada ser. Sendo eu alguém com uma tendência forte a procurar sorrir, o tempo tende a ser generoso com as marcas. Não as apagará. Afinal, quero mantê-las para sempre para me lembrar de que a nossa história é feita de emoções. Deixem elas marcas ou não. Porque o que me importa nesta vida é nunca deixar de senti-las.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

(Di)lema

Fazer algo que não se apoia é crime? Talvez um crime egoísta, mas, ao meu ver, é um crime. Não está no velho Código Penal, e sim no arcaico Código Moral. Porque desrespeitar o que se acredita é dar brecha a futuros arrependimentos.

Ando pensando em como as pessoas se sujeitam (ou, no meu caso, têm de se sujeitar) a algo no qual não acreditam. "E para quê fazê-lo, Endie?". Isso! Questione-me! Pressione-me! E não me deixe entrar em uma zona de (des)conforto!

Em determinado momento, chegamos a uma tal encruzilhada que simplesmente nos leva a agir automaticamente em nome de 'algo maior' do que nós. No meu caso, o maior é em sentido literal. E isso é irritante. Intrigante e irritante. "Olha o estresse, Endie!". Os neurônios gastos nesses conflitos de moral valem a pena? Talvez.

Quem me conhece, sabe que tenho um bom senso de justiça. Como uma boa libriana deve ter. Gosto do justo. Desde pequena. Perdi com isso. Ganhei com isso. Mas é sempre bom poder deitar a cabeça no travesseiro com um peso a menos. 'Fazer o melhor' é o meu lema.

Ok, acabo tolhendo momentos preciosos de permissão ao erro. Perfeccionismo me leva a um patamar sofrido e isso não é bom ao coração. Confesso que o cérebro é bastante duro com o músculo das emoções. Ainda mais quando entram no embate do que é certo ou errado.

Dilema infindável traz consequências infindáveis. Sigo ou desisto? Maquio ou encaro a realidade? Experiencio ou tolho-me de crescimento? Costumo buscar o lado positivo das coisas. Ando vendo negatividades em muitos lugares. Está difícil manter o costume.

Pessoas são sujeitos intrigantes. Incluo-me, certamente. Farei o que mandam. Obedeço às ordens aparentemente despretensiosas. Sei o que sinto. Carregarei no peito as frustrações de quem tem dificuldade com o "não". E lanço a dúvida: é melhor 'se incriminar' ou encarar como um ato de desafio emocional?

Então, sigo e faço. Depois da experiência, quem sabe volte a falar sobre isso? Conhecendo-me, falarei. Surpreendendo-me, crescerei. C'est la vie! Mais, dans ce moment-là, pas en rose!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

(Di)Versificando

Quero parar e desviar pensamentos.
Desabotoar as prisões externas envenenadas de cinismos.
Fechar o circo vicioso de palhaçadas cotidianas.

Nada custa o mal estar.
Na geração que vive a dedilhar.
Vidas alheias ao que realmente deve importar.

Observo. Os pulmões aceleram.
A cabeça urge de pensamentos descompassados.
Nem ao menos a graça de dançar como uma bailarina parece tanto me apetecer.

O que essas criaturas fazem?
Entendem o que fazem?
Não, muitos simplesmente desfazem.

A sacola pesa no ônibus, não carregam.
Ao 'bom dia', mesmo com sorriso sincero, não respondem.
Na troca de favores, tem sempre o lado que escapa quando deveria agir.

Sociedade de pessoas mortas.
De respeito, de cuidado, de decência.
Há falência e decadência de valores sólidos.

O que vale invalida a luz.
Na escuridão, seguem mentes sórdidas e frívolas.
Nem ao menos levantam os olhos de suas caras máquinas caras.

Para onde seguem?
Para onde afundam?
Até quanto afundam?

Sigo em chamas de dúvidas.
Peço-me para não desistir de sorrir.
Impeço-me de me iludir.

Sorrio, se tenho vontade.
E que essa vontade não me leve a auto-obrigações diplomáticas.
Porque o que (ainda) vale para mim é respeitar o querer e o ser.

domingo, 29 de setembro de 2013

"Deixa que eu sirvo"? Não!

Tragam as bebidas que levamos as comidas!

Não vai pôr o prato do seu namorado/marido/amigo?

Aprenda a dançar tal ritmo para conquistá-lo!

O reforço da fragilidade feminina no subservir à figura masculina é quase aterrorizante. Figuras maternas, amigas (?), irmãs ou desconhecidas surpreendem com seus pratos, copos, corpos e despeitos ofertados e entregues aos moços de barbaridades apoiadas.

Seguimos, há milênios, vivendo mais do mesmo. Diariamente. Minutamente, diria.

A seus postos, crianças, adultas e idosas posam de questionadoras assíduas ao tratarem do universo arqui-inimigo. "São uns grossos, uns estúpidos, uns insensíveis, uns cachorros..." e outras alegorias que é melhor deixarmos para as conversas de bastidores.

Os tais são alvos fáceis de dardos e dados que atingem lares, bares, academias e trabalhos.

Há uns brutos sim. Uns covardes animalescos. Uns salafrários da paixão. Uns miseráveis da educação.

A culpa é sempre deles? Nem sempre!

Derrubemos as máscaras da incredulidade confortável. Somos nós, mulheres, que repetimos a mesma ladainha de ele pode sair, ela não pode. Ele leva o refri, ela os salgados. Ele fica sentado, ela põe o almoço. Ele sempre chega tarde, ela não pode chegar. Ele é garanhão, ela é vadia. Ele é macho, ela é frágil. Ele tem personalidade, ela é revoltada.

Se eu gosto de alguém posso até adaptar certas vontades. Até para conhecer outras visões. Mas daí a transformar-me sem haver o equilíbrio de ambos os lados? Isso não está certo!

Ele prefere as loiras! Pintamos o cabelo.
Ele gosta de pagode! Fazemos programações novas.
Ele adora uma sobremesa diferente! Consultamos o oráculo Google e damos um jeito de aprender.

E quanto a nós?

Ela prefere os bem vestidos. Ele é o mesmo.
Ela gosta de música francesa. Ele é o mesmo. ("porque música francesa é "um saco" de gostar, não é?")
Ela adora frutos do mar. Ele é o mesmo.

Adaptações constantes são feitas. Não estão erradas. Podem acontecer. Porém, por que o peso só pende para o lado cor de rosa? Aliás, por que é só cor de rosa?

Mulheres são complicadas? Hum, tenho minhas discordâncias em relação a isso. Afinal, mulheres são muitas. E cada qual tem sua personalidade.

Homens também são muitos. E cada um pode ser ensinado a agir de maneira diferente. Quem influencia diretamente nesse papel? Nós!

Não sou mãe ou esposa. Entretanto, tenho familiares, amigos e podem surgir paqueras. Neles é que podemos barrar a prática obsoleta e repugnante do "deixa que eu sirvo".

O "deixa que eu sirvo" é o reforço da ininteligência afetiva. Um sério risco da continuidade da prática do "mulher é pra essas coisas".

É melhor fugir do padrão da fragilidade e pôr um ponto final no capítulo da marginalidade cruel a qual nós próprias nos impomos. Não é nos livrarmos da ideia masculina. É nos livrarmos da ideia do feminino subserviente. É nos vermos em pé de igualdade, até mesmo no direito de também ser servida, de chegar tarde, de pensar diferente e seguir pensando diferente. De gostar de música francesa e não ter que frequentar blocos de carnaval só porque fulano gosta.

A vida é sua. As atitudes também.

Então, aja da melhor maneira com eles. Sempre lembrando que somos responsáveis por aquilo que fazemos, e pelas consequências de nossas ações. Até mesmo por um simples prato servido.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Dúvidas

Duvido que tu duvides tanto quanto minhas dúvidas duvidam de suas certas incertezas.
Sigo seguindo sem o jeito que mente que, de repente, pretende encher-me a mente.
Nas paixões de meus claros desejos, tímidos arquejos, que me brotam lampejos de esperança.
Espero, sigo, e requeiro que meu instinto juvenil, estímulo de meu brio, afaste cada inconsequência vil.
Penetrando a marteladas a carapaça encrustada na rígida capa da moça de tolas buscas perfeccionistas.

Olho. Enxergo.
Vejo e desconecto.
Sem sutilezas, sorrio.

Percepção captada.
Descapacito. Não sigo.
No despertar de algo incerto.

Seria séria se não fosse a vaga bruma reforçada de acalanto duvidoso de sentimentos risíveis.
Reforço a ideia de imperfeição injusta entre os passos cadenciados.
Porém, a tênue ideia da certeza duvidosa paira sobre o olhar visível do justo rito ansiado.
Anseio e abestalho-me. O que devo interpretar? Solta ao vento dos desejos, liberto a forma de aguardar.
O ontem, o hoje e o amanhã só me legam dúvidas. Duvido que não duvide ainda mais. Apenas duvido.

Porque brincar com palavras em meio a suas dúvidas pode ser um desafio indubitavelmente bom.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Consulta interna

O coração humano é esquisito, no sentido mais estrito da palavra.

Ele bate, pulsa, acorda e te emite códigos (morse?) para os neurônios que, após uma tradução detalhada por um perito no assunto, são decodificados em uma simples mensagem que, necessariamente, não é tão simples assim. Ao menos, não na prática.

A mensagem, normalmente, é do tipo: "minha filha, o que diabos tens feito das tuas estranhas entranhas?"

O danado sabe mais do que as tarólogas do viaduto do Chá! E ainda é melhor porque nem precisamos pagá-lo para ter a tal consulta interna.

Bem, não pagamos materialmente, mas emocionalmente ... vixe, como pagamos! Parcelado e com juros a um custo digno de processo no Procon da alma.

"Minha filha, ouça-me! Se não acordar para mim, acorde ao menos para o seu estômago. Afinal, o pobre já sofre com algumas guloseimas, mesmo que esporádicas, imagine com esses desgostos acumulados?"

O nobre coitado anda tagarelando lá embaixo, puxando-me pelas cordas vocais tão preciosas.

Então, paro, sento e escuto-o.

"Filha minha (para não ser repetitivo, pois repetições lembram-me status quo e disso não gosto), abra-te os olhos, pingue gotas serenas e saradas de soro fisiológico natural (não aquele da farmácia, o original mesmo, pra limpar bem), e pare, pelamordeDeus, de ficar dando trela a voz(es) que te levará (ão) a lugar nenhum".

Neste momento, estou a passar o tal soro. Não arde. Ele apenas clareia. E começo a ver que é preciso sorrir mais e sentir-me menos angustiada com algum percalço chato do caminho.
Chuto a pedrinha do sapato.
Boto o Band-aid.
Agradeço ao sr. coração.
E vejo uma boa luz logo à frente.

"Olá, srta Luz! Prazer em reencontrá-la! Eis que te apresento minha dona: Endie Eloah, uma mulher teimosa, mas de um coração incrivelmente decidido a livrá-la do que não merece".

É, definitivamente eu posso me fazer sentir muito bem após uma consulta interna.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Errata

Desculpem-me!

Começar um texto pedindo desculpas não é muito conveniente, mas, para mim, é necessário. Sou educada e aprendi comigo mesma que quando não estou me sentindo muito bem prefiro desculpar-me por não estar em um estado "comum" da minha personalidade.

Estive correndo durante todo esse tempo, com todo o gás possível, daquele que trás água salgada no corpo e respiração ofegante.

Parei!

Bruscamente!

E nem desacelerei, ao menos. Por isso, não impedi o tropeção. Tropecei. Arranhei. Arranhei alguns que estão ao meu redor e receberam o meu encontrão de mau humor recente. E ao ver o que fiz eu me machuquei (por que fiz isso?).

Nem pude prever a tontura que tomou conta de minha estrutura! Respiração pesada, assumo, difícil, entalada na garganta.

Sentei-me, para ver se melhorava a sensação incômoda. E vi as bolhas. Meus pés, acostumados a saltos baixos, feriu-se nos percalços dos caminhos tortuosos, que por vezes tive de correr de salto agulha.

Procuro um motivo para a corrida. E não o encontro.

Estou perdida, é isso!

Ai meu Deus, e eu ainda admito! Boba? Não sei! Verdadeira? É, talvez seja isso.
Para alguns, pode até ser mais um texto de Internet.
Para mim é um desabafo sincero. Uma colega que precisa de algo, mas ainda não sabe ao certo o quê.

Durante algum tempo, eu corri como se não houvesse amanhã. E, agora, descubro que nem sei se existe ou não.

Não sei para onde corro, quando corro, para quem corro. Para mim? Por mim? Não sei.

A mulher acostumada a dar esperanças espera não se acostumar a isso. Sentir-se perdida é parte do processo de evolução. Faz parte da caminhada. A diferença é que nem todos admitem suas fraquezas. Eu as admito porque gosto. Gosto de me enxergar através das palavras.

É claro que não gosto de estar assim: agoniada e sem rumo.

É estranho. Dá nó na garganta. E isso me faz explodir facilmente com pessoas queridas ao meu redor.
É ruim nem saber ao certo o que responder ao "Tudo bem?".

Aliás, respostas estão difíceis de serem acertadas. Não sei se o que falo, se o que escrevo é bom ou não. Ou pior, se o que entendo é o que deveria entender. E até bloqueio criativo estou tendo. E isso me incomoda bastante.

Não é a primeira vez que me perco. Mas é a primeira em que admito a mim mesma, e em alto e bom som.

O meu lado otimista não vai me deixar na mão. Ele aparece, aliás, lá no topo da montanha, me chamando.
Ele acena quase escandalosamente para mim, como se me chamasse para lá.

Só não sei para que lado essa montanha vai. Se para o Norte, Sul, Leste ou Oeste.

Sócrates me preenche: "Só sei que nada sei".

E só.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A solenidade e o (auto)reconhecimento

Olhos recém-chegados naquele ambiente solene estavam vidrados em cada movimento conduzido na cerimônia de posse coletiva. Noventa expectativas positivas diante do porvir na Instituição. Como se estivessem transformando aquele momento em mais uma fonte de orgulho no peito estufado que desbravou uma alta concorrência (1.500 x 1). Acompanhados pelos sorrisos e flashes dos familiares e amigos, irradiavam felicidade convertida em calor humano, mesmo em um ambiente acostumado a exigir rígidos casacos.

A emoção contagiou a todos. Autoridades presentes, servidores da casa e a jornalista que vos escreve. Um filme passava na mente enquanto aqueles novos colegas celebravam a conquista. "Tanto fiz para conseguir chegar aqui. Por tanto passei. E agora sou eu quem dou voz a um momento tão importante para eles", penso em meio a olhos marejados e confessados, enquanto presto atenção a tudo e todos para poder captar a essência do evento e retransmiti-la oficialmente no site do órgão. Este, um motivo de sorriso largo carregado há 1 ano e 8 meses. Afinal, como disseram todos os entrevistados em meio a olhares positivos, trabalhar numa Instituição cujo escopo é zelar pelo bem da sociedade é indubitavelmente confortante.

Isso não significa que seja um lugar onde temos regalias e pouco trabalho. Muito pelo contrário! O dever é arregaçar as mangas e mostrar-se útil ao compromisso honrado com nossa própria escolha profissional. Seja ela temporária ou não, enquanto lá estamos temos que ter a plena consciência de que existem milhares de pessoas que dependem de um atendimento adequado, de um processo bem elaborado, de uma matéria esclarecedora e de pessoas motivadas para dar conta do volume de demandas presentes diariamente. Funcionalismo público pode gerar pré-conceitos. Mas tenha certeza de que generalidades devem ser evitadas sempre que possível.

E ao voltar o pensamento aos novos integrantes da casa da qual faço parte confesso que não é possível converter em palavras o que presenciei hoje. A emoção externa e a comoção interna foram suficientes, apenas (se é que posso usar esse advérbio), para demonstrar que existem esperanças. Em diversas formas. Para quem chega, para quem já se instalou e para quem sai de lá com a única certeza de que pessoas são feitas de objetivos. E quanto mais eles são alcançados mais indescritível é a vontade de seguir querendo presenciar (e reconhecer) ainda mais conquistas como esta.